Segundo maior colégio eleitoral do país e conhecido por reproduzir o comportamento do eleitorado nacional, Minas Gerais passou a concentrar os esforços das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da disputa presidencial. A votação do segundo turno acontece em 25 de outubro.
O estado é estratégico para os dois lados. Lula tenta reverter a desvantagem registrada no primeiro turno, enquanto Flávio quer ampliar a margem conquistada.
Primeiro turno dividido
O resultado em Minas mostrou um estado partido ao meio. Lula venceu em 452 dos 853 municípios, e Flávio ficou à frente em 401. O candidato do PL, porém, levou a melhor em nove das dez maiores cidades mineiras. Entre elas, o petista só venceu em Juiz de Fora.
Agenda de Lula
Lula esteve em Juiz de Fora nesta sexta-feira (16) e também passou por Ipatinga, no Vale do Aço, onde Flávio teve 61,11% dos votos no primeiro turno, contra 31,47% do petista. O maior ato de rua pró-Lula no estado ocorreu em 9 de outubro, na Praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte. A senadora eleita e ex-prefeita de Contagem tornou-se uma das principais apoiadoras da campanha petista em Minas.
Agenda de Flávio
Flávio cumpriu agenda na quinta-feira (15) em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, cidade onde venceu com 48,20% dos votos, contra 44,39% de Lula. O ato estava previsto inicialmente para Araçuaí, reduto petista onde Lula obteve 59,95%, mas a campanha trocou de cidade. O candidato deve voltar ao estado antes do dia 25.
Entre os aliados de Flávio em Minas estão o deputado Nikolas Ferreira, que teve votação expressiva no estado, e o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos), que declarou apoio e tem publicado vídeos pedindo votos para o candidato do PL.
Avaliação
Para o professor Camilo Aggio, da UFMG, Minas reúne dois atrativos: um grande estoque de votos e o perfil de microcosmo da eleição nacional. Segundo ele, o PT mostra mais fragilidade no estado do que em 2022, quando Lula venceu, e a tendência é que a campanha de Flávio invista pesado em Minas até o fim. O pesquisador também aponta a capacidade de Lula de construir alianças políticas fortes como trunfo do petista.
