
Por Thaísa Oliveira
(Folhapress) – A mobilização na internet pela reeleição do presidente Lula (PT) ligou o alerta na campanha do adversário, Flávio Bolsonaro (PL), e levou aliados a lançarem contraofensivas no WhatsApp.
Uma das principais preocupações no entorno de Flávio é com um possível efeito silencioso na distribuição de conteúdos pelo mensageiro. Desde o resultado do primeiro turno, em que Flávio saiu na dianteira, eleitores de Lula reforçam a estratégia digital para expor o rival, incentivar as pessoas a votarem no segundo turno e convencer o eleitorado que está indeciso ou votou nos candidatos derrotados.
O deputado federal André Janones (Rede-MG) criou, por exemplo, um canal no aplicativo de mensagens chamado “Exército do Lula” para mobilizar a militância e distribuir conteúdos a favor do petista. O canal saltou de 50 mil seguidores para 3 milhões desde o primeiro turno.
Dois integrantes da campanha de Flávio admitem sob reserva que a preocupação com o WhatsApp é maior do que com outras redes sociais porque é mais difícil descobrir o que e em que volume conteúdos são veiculados.
Enquanto no Instagram e no X (ex-Twitter) é possível identificar e rebater praticamente em tempo real as narrativas (sejam falsas ou verdadeiras), o ambiente no WhatsApp é quase incontrolável. Segundo um deles, o canal de Janones é só a “ponta do iceberg”. O espalhamento de conteúdos por mensagens também faz parte da estratégia da direita.
Flávio passou boa parte da transmissão ao vivo pelas redes sociais desta quinta-feira (8) dizendo estar sendo vítima de montagens e informações falsas. O candidato também convocou a militância a entrar no grupo dele de WhatsApp, o “Tropa do Flávio”.
Na quinta, o deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO), um dos nomes mais estridentes da direita, chamou a iniciativa de Janones de “milícia digital”, acusou o PT de propagar fake news e cobrou uma reação do bolsonarismo.
A mudança no tom do lado petista foi um dos principais assuntos no encontro organizado pelo PL na quarta-feira (7) com governadores e parlamentares eleitos. Tanto o marqueteiro, Duda Lima, como o coordenador político da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), afirmaram haver uma “fábrica de fake news”.
“Vocês sabem por que eles estão fazendo isso, gente? É uma estratégia que se usa para implementar medo. ‘Ah, mas se o Flávio for eleito vai tirar o Bolsa Família.’ Que bobagem, é lógico que não vai tirar”, disse Duda.
Como a Folha de S. Paulo mostrou, a equipe responsável pelo programa econômico de Flávio estuda um pacote de medidas fiscais para um corte de 2% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 250 bilhões.
