Autor: Sato Tito

O voto no Brasil percorreu um caminho de exclusão e manipulação (Império e Primeira República), evoluindo de um instrumento elitista e vulnerável a pressões para um processo democrático, até chegar à urna eletrônica, que é referência mundial em segurança e rapidez. Mesmo com o voto secreto e a Justiça Eleitoral, o “voto de cabresto” se transformou em novas formas de pressão, como o clientelismo e a sua compra. A desigualdade social e a necessidade de recursos financeiros para sustentar campanhas ainda são barreiras para candidatos menos favorecidos.
Desde o início (1822) até 1980/5 os pleitos estavam suscetíveis a fraudes. Porém o voto de cabresto permaneceu. Mesmo com o governo sustentando as eleições com recursos federais, a prática da compra de votos permaneceu. A falta de uma ideologia própria, uma segurança social que proteja as famílias de menor poder aquisitivo para contracenar com esses quadros, faz com que o processo ainda hoje perdure. De tal forma que é impensável tentar uma candidatura sem ser sustentado por uma soma considerável de recursos financeiros.
O “deslumbramento” do eleitor diante de símbolos de status (tal qual pick-up do ano) mostra como o marketing político e o poder econômico moldam preferências. Em outras palavras, o Brasil conseguiu resolver o problema da fraude técnica, mas ainda enfrenta o desafio da fraude social, em que o poder econômico pesa mais do que a qualidade das propostas.
Exatamente por isso que o candidato, montado num carro da moda do último ano e já conhecedor da formação do seu eleitor, mostra tudo o que o capitalismo representa naquela ilusão de momento. Desta forma fazendo com que o seu representado acredite que aquele deslumbramento todo possa se transformar em fruto de uma repartição futura.
Por essa razão o “Rapozinha”, um dos mais preparados entre os candidatos a deputado pelo Rio Grande do Norte, pode não ser sorteado em sua primeira incursão. No entanto, se pensarmos melhor, o nosso Doutor, por diversas razões, já demonstrou as suas qualidades, as quais transbordam em excelência para ocupar uma cadeira na Assembleia. Mas, como citamos acima, isso não é motivo suficiente para conquistar o voto do eleitor. A preferência está em negociá-lo sem mesmo saber com quem, ou em quem.
“Santo de casa não faz milagre”. E faz. Porém, se não existir financiamento ou financiador, pode “morrer na praia”. Tudo se resume ao momento. Esquece o eleitor que aqueles próximos quatro anos podem ter uma rentabilidade social muito maior. Isso se a sua preferência for pautada nas habilidades positivas do candidato.
Em situação inversa, qual o favorecimento financeiro que se tem ao assinar aquela cédula eletrônica dando vez a quem nunca se viu e nem nunca vai se ver? Será que vale a pena? E na hora de reclamar dos seus procedimentos nada pertinentes? Se ele for “prata da casa” é fácil. E se não for? Valeu o escambo? Não está em todos os dias o aparecimento de um cometa com tanta luminosidade para nos proporcionar um voto consciente e, decididamente, qualificado. O arrependimento será sempre tardio.
