
Foto: Ilustrativa
Por Santo Tito
Um posto médico que desafia a lógica da insatisfação e mostra que a saúde pública pode, sim, funcionar. No Bairro Assunção o atendimento público ganha rosto humano — um gesto simples que redefine o significado de cuidado.
A insatisfação parece ser uma característica intrínseca ao ser humano. Somos críticos por natureza e raramente deixamos escapar uma oportunidade de apontar falhas — sobretudo quando o assunto é administração pública. Basta que apenas um setor não corresponda às expectativas para que todo o restante seja colocado em xeque. Essa postura, embora compreensível, muitas vezes obscurece avanços reais.
No entanto, há experiências que desafiam esse padrão. A criação de um posto médico no Bairro Assunção vem conquistando a simpatia da população. O atendimento humanizado, tão exigido e raramente encontrado, está sendo colocado em prática. O paciente é recebido com dignidade: há triagem organizada, o especialista chama o doente pelo nome, e não há a temida fila interminável que costuma marcar os serviços públicos de saúde. É quase como se, por alguns instantes, o cidadão fosse tratado com a mesma importância que se atribui às instituições mais altas do país.
A questão que se impõe é: por quanto tempo essa realidade se sustentará? A história mostra que iniciativas bem-intencionadas muitas vezes se perdem na burocracia, na falta de recursos ou no descaso político. O anonimato que ainda cerca esse posto pode ser visto como virtude — uma ação silenciosa que privilegia o paciente em vez da propaganda oficial — mas também como risco, já que sem reconhecimento público dificilmente haverá pressão para sua continuidade.
O exemplo do Bairro Assunção revela que é possível oferecer saúde pública com qualidade e respeito. Cabe ao cidadão, crítico por essência, não apenas apontar falhas, mas também valorizar e defender conquistas como essa. Afinal, a crítica só tem sentido quando serve para melhorar, e não apenas para destruir.
