
Por Santo Tito
Impressiona a facilidade que temos para a crítica. Especialmente quando o objeto é um político ou a política. Outro dia, exatamente quando a prefeitura estava recuperando a passagem do Juremal, um rapazinho vociferava sobre a qualidade do serviço que estava sendo feito. Mesmo São Paulo do Potengi se constituindo numa pequena cidade do interior, parece que as pessoas desconhecem os problemas que estão à vista de todos. Nesse tempo de chuvas intensas, eles sempre irão aparecer, e nós temos é que resolvê-los o mais imediatamente possível. Não podemos pensar no ontem nem no amanhã.
Não interessa o porquê de não ter sido feito uma passagem molhada ou uma ponte no local. Naquele momento o que precisava mesmo era desobstruir o outro lado da cidade. Com duas entradas para se chegar ao centro, quando uma delas ficava inoperante colapsava o trânsito de veículos na outra, e até de pedestres, já que as calçadas inexistem. E era exatamente isso que estava acontecendo. Com a estiagem, mesmo tendo que refazer o serviço na próxima chuva, mais uma vez na outra, e assim até acabar o inverno seria necessário aquele trabalho de formiguinha.
Talvez aquele rapazinho ainda não tenha tido o prazer de conhecer cidades como Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, até mesmo Natal, bem aqui pertinho, em período chuvoso. Quem sabe aí ele teria amenizado as suas críticas. A televisão e, principalmente, o celular estão aí para mostrar que não importa o quão bem organizada sejam as cidades. Nós impermeabilizamos os terrenos para construir nossas casas, asfaltar nossas ruas e nossas estradas, fazer pontes, criar barragens, impedindo o curso natural das águas em procura do oceano ou mesmo do centro da terra, o lugar mais próximo. E é nesse momento que vemos o tanto que fomos ou somos irresponsáveis.
Como tudo que existe entre o céu e a terra, e até sob a terra, pertence à natureza, ela não tergiversa. Simplesmente ocupa o espaço que sempre foi e sempre será dela. Nós o ocupamos irregularmente. Já perceberam o que está acontecendo em Natal com a “engorda” da praia? Em Balneário Camboriú (SC) aconteceu algo parecido. Nós estamos esquentando o clima e as geleiras que, ao derreterem, aumentam os mares que, em consequência, nos mais variados locais pelo mundo afora estão demolindo cidades.
Aqui fica um alerta para esse rapazinho. Quem sabe ele venha ser um dos próximos dirigentes daquelas metrópoles que citamos acima. Será que ele já percebeu que as pessoas andam beirando as calçadas pelo meio da rua, exatamente porque nós nos apropriamos delas; que vários rios deixaram de existir porque desmatamos suas margens; que o crescente consumo de água pela sociedade, exacerbado pelas mudanças climáticas, está esgotando lagos e mares em todo o mundo; que grandes lagos ou pequenos mares estão sendo drenados em uma velocidade impressionante e, no processo de encolhimento, estão se tornando cada vez mais salinos?
As secretarias do meio ambiente são um processo obrigatório novo na composição das administrações. Porém elas não têm autonomia para exercitar a sua autoridade, exatamente porque seus titulares não são autônomos. Também porque a sociedade não está preocupada com o amanhã. Ela não foi educada para esse amanhã e sim para o imediatismo. Até mesmo governantes de grandes países estão pouco se preocupando com o que possa acontecer com a terra. No caso, eles já terão ido morar em outro local.
