
Outro dado relevante diz respeito à distribuição territorial. Cidades com até 100 mil habitantes concentram 50% dos feminicídios registrados, embora abriguem 41% da população feminina do país. Nesses municípios, a estrutura de atendimento é limitada: apenas 5% possuem delegacia especializada de atendimento à mulher e 3% contam com casa abrigo.
Já nas cidades médias, entre 100 mil e 500 mil habitantes, 25% das vítimas foram registradas. Nessas localidades, 81% têm delegacia da mulher e 40% dispõem de casa abrigo. Nos grandes centros, com mais de 500 mil habitantes, 98% contam com delegacia especializada e 73% possuem casa abrigo, concentrando também 25% dos casos.
Para o Fórum, o enfrentamento ao feminicídio passa pela ampliação e descentralização das políticas públicas. A Lei Maria da Penha é reconhecida como um marco no combate à violência doméstica, mas ainda há desigualdade na oferta de serviços pelo território nacional.
O relatório aponta que, além da criação de novas estruturas, é possível integrar equipamentos já existentes, como unidades básicas de saúde, delegacias comuns e centros de assistência social, formando uma rede mais articulada de proteção. Segundo a entidade, a violência letal costuma ser precedida por agressões anteriores e sinais de risco, o que reforça a importância da prevenção e do atendimento rápido.
