Câmara dos Deputados vive surto da desfaçatez

Plenário da Câmara dos Deputados
Imagem: Mário Agra/Câmara dos Deputados

Por Josias de Souza – UOL

Sujos e mal lavados juntaram-se na Câmara para organizar uma fila de votações. Nela, a sem-vergonhice foi acomodada na frente do interesse público. Em primeiro lugar, vem a PEC da blindagem.

O texto realiza os sonhos de parlamentares encrencados com a lei, condicionando prisões em flagrante e a abertura de ações penais no Supremo ao aval da Câmara e do Senado. Estendeu-se a blindagem aos presidentes de partidos. Todos ficam protegidos inclusive da opinião pública, pois as votações serão secretas. O vexame interessa sobretudo ao centrão.

No melhor estilo uma mão suja a outra, a facção bolsonarista do Legislativo concordou com a prioridade do centrão mediante o compromisso de que, na sequência, seja votado um pedido de urgência para que a PEC da anistia que inclua Bolsonaro.

Só depois, se todos os interesses particulares forem atendidos, virá a votação do projeto que isenta do pagamento do Imposto de Renda os brasileiros que ganham até R$ 5.000. Algo que interessa a 90% dos contribuintes.

Fechando o ciclo de desfaçatez, o PL indicou Eduardo Bolsonaro como líder da minoria na Câmara. A atual ocupante do cargo, Caroline de Toni, renunciou.

Nesse arranjo, a antiga líder vira vice-líder. Continuará exercendo a função em plenário. Mas o filho de Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos desde março, simularia o exercício da liderança à distância, livrando-se da cassação do mandato por excesso de faltas. De acinte em acinte, os deputados transformam a politica num outro ramo de crime organizado.

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