
Autoria de José Ibiapina
Por entre a caatinga do sertão
Caminhava o sacerdote-profeta,
O padre Expedito:
Em seu corpo, a magreza
Em seu rosto, o sorriso
Em seu coração, o amor.
Contava de Zé Nordestino
Um retrato vivo
Da exploração sertaneja,
Na construção semi-escrava
Do açude de Pataxó.
Dizia, de modo simples
Que possuía uma missão,
Humana e divina:
Reconciliar os homens entre si
e com Deus.
Na missão,
caminhava convicto de que,
quando do juízo,
A Misericórdia
Seria triunfante (Tg. 2,13)
E de que sua fé,
Se não tivesse obras,
De nada valeria (Tg 2,27).
Refutando Max Weber
Era, num só tempo, sacerdote e profeta.
Obediente à Igreja, Mãe e Mestra,
Zelava pelo rebanho e pelos sacramentos,
Sinais visíveis da Graça de Deus,
Com a consciência de que devia anular a si mesmo
E estar disposto a agir como o Apóstolo,
Alegrando-se nos sofrimentos
E completando no seu corpo
O que restava das aflições de Cristo
Em favor das suas ovelhas (Cl 1,24).
Por isso, conhecedor da Doutrina Social da Igreja
defendia os explorados,
Alimentava os famintos,
Dava de beber aos sedentos (Mt 25),
Mostrando sua fé pelas suas obras (Tg. 2,18)
E sempre apontando para Jesus Cristo,
O Pão Verdadeiro (Jo 6)
Este, sim, que haverá de saciar
Por toda a Eternidade,
Os famintos de Justiça (Mt. 5,6).
